Texto por Colaborador: A. Rother 29/10/2026 - 04:55

O técnico Eduardo Baptista defendeu a estratégia adotada pelo Internacional na derrota por 2 a 1 para o Fluminense, nesta quarta-feira, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. Na entrevista coletiva após a partida, o treinador explicou por que Mercado, Villagra e Vitinho começaram no banco, avaliou o desempenho da equipe e comentou as situações de Kauan Jesus, Rochet, Carbonero e Maripán.

Baptista reconheceu a frustração com o resultado, mas avaliou que o Inter teve uma boa atuação, especialmente no segundo tempo, quando abriu o placar com Alan Patrick e conseguiu neutralizar boa parte das investidas do adversário. Para o comandante colorado, o desempenho apresentado deve servir de referência para a sequência da luta contra o rebaixamento.

“Eu acho que tem dois sentimentos. Um, que nosso presidente já colocou aqui, é a indignação com o que aconteceu hoje. O resultado foi alterado. E o outro é a tristeza por tudo que construímos, por toda a estratégia”, afirmou.

Na avaliação do treinador, o Colorado voltou do intervalo com outra postura, conseguiu criar oportunidades e teve condições de conquistar um resultado melhor. Ele também ressaltou a qualidade do adversário, que vinha de uma temporada marcada por uma campanha consistente e pela eliminação na disputa de pênaltis de uma final de Libertadores.

“A equipe, principalmente no segundo tempo, se comportou bem. Ela volta diferente, constrói o gol, cria oportunidades, cria um volume para vencer o jogo. E o Fluminense não nos assustou muito, principalmente na segunda etapa”, analisou.

Baptista destacou que o time carioca teve a posse territorial no meio-campo, mas encontrou dificuldades para superar a marcação colorada. O Inter, segundo ele, conseguiu neutralizar as investidas do adversário e sair em velocidade para o ataque.

“Conseguimos marcar bem, neutralizar e contra-atacar rápido. Acabamos sofrendo um gol em uma sobra, em uma bola parada, e, infelizmente, no final, sofremos o segundo”, lamentou.

O treinador também afirmou que a equipe precisa manter a organização e a competitividade demonstradas nas últimas partidas. Para sair da zona de risco, o Inter terá de transformar as boas atuações em vitórias, especialmente nos compromissos no Beira-Rio.

“É continuar buscando, trabalhando. Foi mais uma boa atuação. Contamos com a torcida nesta terça-feira para termos novamente aquela energia em casa. Sempre falamos que precisamos garantir as vitórias em casa. É isso que vai nos tirar dessa situação”, declarou.

Baptista explica ausência de Mercado, Villagra e Vitinho

Questionado sobre as escolhas para a escalação, o técnico explicou por que Mercado, Villagra e Vitinho não começaram a partida, apesar de terem voltado a ficar à disposição após cumprirem suspensão contra o Botafogo.

Segundo Baptista, a decisão de manter a formação que venceu o time carioca por 3 a 0 no Beira-Rio foi motivada pelo desempenho dos jogadores naquela partida e pelo pouco tempo disponível para treinar antes do confronto com o Fluminense.

“Fizemos um jogo espetacular contra o Botafogo, e, no segundo tempo, o Bernabei teve uma atuação importante, marcou um gol e criou situações de contra-ataque. Chegamos a este jogo sem muito tempo para treinar. Tomamos essa decisão para dar continuidade à equipe e manter um time forte”, explicou.

O treinador afirmou que identificou semelhanças entre a forma como Fluminense e Botafogo pressionavam pelo lado direito. Por isso, optou por Bernabei inicialmente, com a intenção de reforçar a marcação naquele setor e utilizar Vitinho na segunda etapa, quando o atacante poderia entrar com mais condições físicas.

“O Fluminense era muito parecido com o Botafogo, aplicando com o lateral-direito, o Guga, exatamente o mesmo tipo de pressão que o Botafogo fazia sobre o Vitinho. Naquele primeiro momento, o Bernabei não nos ajudaria tanto na dobra de marcação, porque eles atacavam muito forte por aquele lado. A ideia era neutralizar ali e, no segundo tempo, colocar o Vitinho”, detalhou.

Baptista também justificou a escolha por Maripán na defesa, em vez de Mercado. O comandante afirmou que precisa ampliar as opções do elenco e dar confiança aos jogadores que vêm recebendo oportunidades.

“Eu preciso olhar para os jogadores, preciso colocar esses atletas, preciso dar confiança para essa equipe. Se perdermos algum jogador, temos reposições. Então, era também uma forma de reconhecer o que eles fizeram, porque jogaram muito bem, e não tivemos muito tempo para treinar”, afirmou.

O técnico acrescentou que a estratégia de marcação foi semelhante à utilizada diante do Botafogo e considerou que o planejamento funcionou durante boa parte do confronto. Ele também explicou que Villagra estava previsto para entrar no segundo tempo, de acordo com a necessidade de reforçar o meio-campo diante de um adversário que prioriza a posse de bola.

Kauan Jesus recebe elogios, e Rochet segue sem previsão confirmada

Outro assunto abordado foi a atuação do goleiro Kauan Jesus, que vem sendo utilizado nesta reta final do Campeonato Brasileiro. Baptista elogiou a postura do jovem, especialmente nas saídas do gol, e afirmou que o jogador tem correspondido à confiança recebida.

“O Kauan é um goleiro preparado, mais uma vez muito corajoso hoje. Saiu em praticamente todas as bolas, foi bastante agressivo. Até no segundo gol, ele defende a primeira e quase consegue pegar a segunda. É um jogador jovem, estamos dando suporte a ele, e tem respondido bem. Hoje, ele é o titular do Internacional”, declarou.

Sobre Rochet, o treinador explicou que ainda não dispõe de informações suficientes para estabelecer uma previsão de retorno. Segundo ele, o departamento médico é quem poderá fornecer uma atualização mais precisa sobre a situação do goleiro.

Carbonero e Maripán também foram tema da coletiva

Baptista foi questionado sobre a utilização de Carbonero, que voltou a ficar no banco de reservas. O técnico explicou que a escolha levou em conta as características da partida e a necessidade de contar com um jogador que ajudasse na marcação sem comprometer a velocidade dos contra-ataques.

“Foi um jogo que se desenhou de determinada maneira. Eu precisava de alguém que me ajudasse na marcação, porque o Fluminense vinha com a bola e, ao mesmo tempo, precisávamos ter um contra-ataque rápido. O João é minha opção hoje. Entendi que ele havia entrado bem e poderia fazer o mesmo trabalho”, justificou, referindo-se à alternativa escolhida para a função.

O treinador também comentou a situação de Maripán, que voltou a jogar antes do prazo inicialmente previsto após uma lesão que poderia afastá-lo por três semanas. O zagueiro atuou contra o Botafogo e novamente diante do Fluminense.

Baptista explicou que a escolha levou em consideração o desempenho do chileno na partida anterior e as características do centroavante adversário, Hulk. De acordo com o técnico, o defensor conseguiu cumprir a função esperada ao lado de Juninho.

“Ele fez uma ótima partida contra o Botafogo, marcando um centroavante que exige muito, o Tiquinho. Por isso, para os próximos jogos, decidimos dar uma oportunidade a ele, já que enfrentaria um atacante parecido, o Hulk”, explicou.

O comandante ressaltou que o atacante do Fluminense teve participação limitada durante o período em que esteve em campo, especialmente pela atuação defensiva dos zagueiros colorados.

“Acho que conseguimos neutralizar isso bem. É um jogador que ainda não tinha jogado comigo, disputou duas partidas e teve uma atuação consistente hoje. Está brigando por uma posição. Precisamos fortalecer o time do Internacional com opções”, concluiu.

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