Texto por Colaborador: A. Rother 25/06/2026 - 11:59

Segundo matéria do ge, Porto Alegre discute a possibilidade de construir um estádio exclusivo para o futebol feminino, que serviria como casa para Grêmio e Internacional, além de outros clubes da região metropolitana. A ideia surge como parte dos debates sobre o legado da Copa do Mundo Feminina de 2027, mas encontra diferentes avaliações dentro da dupla Gre-Nal.

A proposta prevê uma estrutura compartilhada, com vestiários fixos para Grêmio e Inter e espaços para equipes visitantes, buscando resolver a falta de uma “casa” definida para o futebol feminino. Atualmente, o Inter utiliza o Sesc Protásio Alves e, em alguns momentos, o Futebol com Vida, em Viamão. Já o Grêmio treina no Complexo da Ulbra, em Canoas, e manda jogos no Passo D’Areia, do São José, que possui gramado sintético e já foi alvo de críticas.

A secretária extraordinária da Copa, Débora Garcia, reconhece a viabilidade do projeto, mas ressalta que o município não tem recursos para custear a obra: “Quem vai construir esse estádio, todo o custo que tem a manutenção? Estou vendo uma área, depois vamos conversar com o Grêmio e com o Inter, porque o município não tem como pagar a construção desse estádio. Viável seria, mas precisaria do recurso financeiro que o município não tem.”

Do lado colorado, a gerente do futebol feminino, Renata Armiliato, vê o projeto como essencial para o futuro: “Esse projeto surge pensando não só em Inter e Grêmio, mas também em outros clubes que, em cinco ou dez anos, vão enfrentar a mesma necessidade de ter uma praça esportiva adequada. Vai chegar um momento em que teremos mais clubes, mais jogos, e não será possível utilizar os estádios principais o tempo todo. Um espaço dedicado resolveria isso para toda a região.”

Já no Grêmio, a executiva Bárbara Fonseca adota cautela e levanta dúvidas jurídicas e operacionais: “Não vejo juridicamente isso possível da forma como está sendo discutido, a não ser que seja conduzido como um projeto do setor público. Quem seria responsável pela estrutura? Como funcionaria a agenda de jogos e treinos? Como seria a arrecadação? São muitas variáveis que ainda não estão claras.” Ela sugere alternativas mais realistas, como incentivo para que os clubes mandem jogos em suas arenas principais, com eventual subsídio da CBF para os custos operacionais: “Hoje, o futebol feminino ainda não se paga. Antes de pensar em grandes estruturas, precisamos consolidar público, receita e sustentabilidade.”

Assim, enquanto o Inter vê o estádio exclusivo como um legado fundamental da Copa, o Grêmio prefere cautela e alternativas menos onerosas. O debate segue aberto e promete ser um dos temas centrais na preparação de Porto Alegre para 2027.

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