Texto por Colaborador: Redação 02/01/2026 - 03:30

Ao iniciar seu último ano à frente do Internacional, Alessandro Barcellos prepara uma temporada de reformulação completa no departamento de futebol após o clube escapar do rebaixamento na rodada final de 2025. Em entrevista exclusiva ao jornal Zero Hora, o presidente comentou o perfil das contratações que devem ser anunciadas nos primeiros dias de 2026, a situação financeira do clube e como pretende conduzir esse período de transição na gestão colorada.

Quando questionado sobre sua avaliação do ano e os sentimentos que ficaram após tudo que aconteceu, Barcellos foi direto: "Foi um ano distinto em dois semestres. O primeiro semestre positivo, onde a gente conseguiu cumprir com os objetivos que eram o título gaúcho e a classificação na Libertadores em primeiro lugar do grupo. Mas um segundo semestre muito ruim, onde nós tivemos uma queda de rendimento e, consequentemente, chegando na última rodada com a possibilidade de rebaixamento".

O dirigente reconheceu que a avaliação geral tende a ser negativa pelo resultado final da temporada, o que motivou a reformulação de diversas áreas do futebol, começando pela parte gestora com mudanças na diretoria esportiva e no comando técnico.

Sobre os motivos da queda de rendimento, Barcellos apontou um conjunto de fatores: "Um conjunto de fatores. O tema da redução de desempenho de uma equipe que tinha a manutenção de grande parte dela desde 2024, com um segundo semestre muito positivo, e com a conquista do Campeonato Gaúcho, e com a classificação da Libertadores nos dava todos os sinais de que era possível a manutenção, ou até mesmo a melhora, com a parada da Copa do Mundo (de Clubes)".

O presidente destacou problemas nos rendimentos individuais e coletivos, além da parte mental. "No sentido anímico, nós tivemos uma queda importante e a recuperação disso, talvez pelo perfil já de trabalho do departamento, da comissão técnica, principalmente, anterior, que era do Roger, já não tinha mais a capacidade de retomar esse anímico e buscamos uma retomada com a chegada do Ramón (Díaz), que tinha esse perfil muito forte nos trabalhos que tinha realizado, mas também não conseguiu reverter isso", explicou.

Barcellos revelou que a reversão só veio com Abel Braga na última rodada, em meio a uma conjunção de resultados favoráveis. Ele também mencionou a decisão colegiada da direção de não fazer grandes investimentos na janela do meio do ano, buscando reduzir custos e endividamento, com exceção da contratação de Alan Rodriguez por cerca de 4 milhões de dólares.

Sobre as mudanças no departamento de futebol, o presidente justificou: "Toda vez que você não tem resultados, há necessidade de fazer mudanças". Ele destacou as chegadas de Fabinho como diretor executivo, Abel Braga como diretor técnico e Paulo Pezzolano como treinador.

"Isso demonstra um compromisso forte nosso para 2026 de um departamento de futebol diferente e que busca aprimorar os processos, melhorar a questão técnica, tática e também a questão anímica", afirmou Barcellos, que também assumiu erros da gestão como um todo, incluindo decisões de redução de investimentos.

Quanto ao retorno de Abel Braga, Barcellos esclareceu que já havia procurado o treinador em 2024 para ser diretor técnico, mas sem sucesso na época. "Não tem relação um momento com o outro. São coisas diferentes, momentos diferentes, e o próprio Abel teve inúmeras passagens pelo clube. O que a gente considera e acha fundamental é ele ter aceitado esse desafio da forma como foi", declarou.

Sobre as expectativas em relação a Abel, o presidente destacou o perfil diferente do antecessor: "A nossa expectativa é que o Abel consiga fazer aquilo que a gente sabe que é da natureza profissional dele: conseguir essa relação com o comando técnico, deixar o treinador focado nas questões de campo".

Barcellos enfatizou a importância da sinergia entre os perfis de Fabinho, Abel e Pezzolano, ressaltando que o diretor executivo tem grande conhecimento de mercado e isso será crucial para estabelecer negócios com mais criatividade no cenário de dificuldade econômica.

Sobre o mercado de transferências, o presidente revelou que a virada do ano deve trazer notícias de chegadas importantes. "Nós, evidente que temos o diagnóstico das carências. Sabemos que o mercado é um mercado hoje bastante inflacionado e que, portanto, tem que ter muito trabalho de busca de situações que possam caber dentro daquilo que o clube pode assumir como compromisso", ponderou.

Barcellos indicou que há objetivo de mudanças em vários setores da equipe, tanto por necessidade técnica quanto para ter um elenco capaz de garantir a temporada. Ele destacou a necessidade de jogadores com características físicas adequadas ao estilo de jogo intenso de Pezzolano, além da reposição de Vitão.

Questionado sobre a política de contratações após os reforços do meio do ano não renderem o esperado, o presidente admitiu o erro: "No meio do ano tínhamos uma avaliação, e erramos nessa avaliação, de que o elenco que tínhamos era possível mantermos uma competitividade, com uma janela um pouco mais focada em composição de elenco e não focada em jogadores que pudessem estar chegando como titulares indiscutíveis".

Para 2026, a abordagem será diferente: "Eu acho que isso muda, e a gente precisa aqui ter esse olhar de que, nos três setores nós precisamos buscar jogadores que cheguem para nos ajudar de uma forma diferente".

Sobre a venda de Vitão ao Flamengo, Barcellos não viu como problema exclusivo do Inter: "Não diria que é do Inter. Estou vendo o Botafogo vender jogador para o Palmeiras, eu estou vendo o Flamengo fazendo oferta para o jogador do Cruzeiro". Ele ressaltou que Vitão se tornou o zagueiro mais caro da história do futebol brasileiro, avaliado em mais de 13 milhões de euros, sendo que chegou sem custos ao clube.

O presidente aproveitou para destacar outras vendas de jogadores da base, como Gabriel Carvalho, Ricardo Mathias e Luis Otávio, e mencionou que em 2025 o clube teve 16 atletas da base relacionados na equipe principal, número não visto há muito tempo.

Quanto à distribuição dos recursos das vendas, Barcellos foi claro: "É difícil estipular. A gente tem um orçamento para o ano que vem, um orçamento que não vai ter investimentos vultuosos dentro da realidade do clube. Eu diria que boa parte desse recurso vai ser para pagarmos dívidas e boa parte disso é para manutenção do clube".

Sobre jogadores inegociáveis, o presidente foi categórico: "Não. Não tem jogador que é inegociável. Agora, tem propostas que são indecentes e essas propostas indecentes a gente nem considera". Ele citou Bruno Gomes como exemplo de jogador muito importante que não há interesse em vender, salvo proposta irrecusável.

Barcellos também abordou a questão das debêntures, considerando a não aprovação como derrota importante para o clube: "Eu acho que foi uma derrota importante, não para a gestão, mas para o clube. Ali se tinha oportunidade de alongar o endividamento, uma parte boa do endividamento". Ele mencionou a renegociação com a Receita que gerou economia de quase R$ 60 milhões e explicou que trabalha junto ao Conselho para propostas de reestruturação financeira de médio e longo prazo.

O presidente destacou o crescimento das receitas comerciais, com aumento de 46% projetado para 2025, o maior salto da história do clube. Porém, reconheceu: "Esse dado nos deixa por um lado satisfeito pelo crescimento, mas mostra que só aumentar a receita é insuficiente. Precisamos muito de dinheiro novo".

Sobre 2026 ser um ano de transição, Barcellos explicou sua visão: "Acho que o conhecimento que a gente adquire na função de presidente, ele não pode terminar em si mesmo, e a gente precisa, até porque o clube renova suas lideranças políticas, de pessoas que não têm ou não tiveram a experiência de estar nessa função".

O presidente concluiu reforçando o compromisso com a transparência e a continuidade de um plano de médio e longo prazo: "O desafio é tentar trabalhar numa união do clube, na busca de soluções de médio e longo prazo que a gente possa, minimamente, contribuir para que esse ambiente seja positivo e que a gente possa fazer um ano de transição, seja de modelo de gestão, seja de forma de gestão, seja de forma organizacional, mas que a gente possa contribuir para essa transição".

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