Texto por Colaborador: A. Rother 09/09/2026 - 15:09

A diretoria do inter abriu uma nova frente para tentar reorganizar parte de suas dívidas e reduzir a pressão das cobranças judiciais. Segundo apuração do jornalista Tim Lagendorf, da Rádio Inferno, o departamento jurídico colorado busca um acordo direto com três credores de peso: o empresário Delcir Sonda, o agente Jair Peixoto e os envolvidos nas ações originadas do antigo caso do zagueiro Dalton.

A estratégia não significa ainda uma recuperação extrajudicial protocolada, mas sim uma tentativa de composição financeira que permita ao clube organizar uma parcela relevante de suas obrigações civis. No caso de Sonda, empresas ligadas ao empresário cobram cerca de R$ 60 milhões em quatro processos, embora o Inter conteste e estime o valor em torno de R$ 33 milhões, relacionados a empréstimos e negócios envolvendo Andrés D’Alessandro. Já Jair Peixoto tem uma cobrança de aproximadamente R$ 28,6 milhões, referente à venda de Bruno Fuchs ao CSKA Moscou em 2020, em disputa sobre cláusula de exclusividade e comissão. O terceiro eixo é o caso Dalton, cuja demissão por justa causa foi revertida judicialmente e gerou processos que podem somar perto de R$ 30 milhões.

A concentração dessas três frentes explica o esforço jurídico em buscar acordos, mas há uma diferença importante: negociar diretamente não equivale a uma recuperação extrajudicial homologada pela Justiça. Pela Lei 11.101/2005, apenas um plano formal com quórum legal e homologação judicial poderia alterar as condições de outros créditos. Até o momento, não há acordo assinado nem pedido de homologação.

O movimento se conecta a discussões internas já em andamento. Em agosto, o Zona Mista revelou que o Inter mantinha a consultoria Alvarez & Marsal estudando alternativas para reorganizar o passivo, incluindo antecipação de receitas e novas formas de captação, enquanto a direção resistia à ideia de recuperação judicial. As cobranças de Sonda já haviam levado a Justiça a determinar bloqueios de valores em contas do clube, revertidos parcialmente em recurso.

A próxima etapa será decisiva: formalização de propostas, assinatura de acordos ou eventual pedido de homologação. Até lá, o fato novo é a identificação clara dos credores que passaram a integrar essa estratégia jurídica.

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