Texto por Colaborador: A. Rother 09/09/2026 - 18:16

O segundo dia de trabalhos do Inter na semana foi novamente marcado por protestos da torcida. Na manhã desta quarta-feira (9), integrantes de torcidas organizadas foram ao CT Parque Gigante e, desta vez, algumas das principais lideranças tiveram autorização para entrar no complexo e conversar diretamente com dirigentes, comissão técnica e jogadores.

O encontro durou cerca de uma hora e contou com a presença do diretor técnico Abel Braga, do executivo de futebol Fabinho Soldado, do técnico Paulo Pezzolano e de todo o grupo de jogadores. Até atletas lesionados, como Rochet, participaram da reunião. Entre os torcedores estavam representantes da Popular, Camisa 12 e Nação Independente. Nenhum dirigente político esteve presente.

A principal cobrança foi por uma reação imediata no Campeonato Brasileiro, começando pelo confronto de sábado (12), contra a Chapecoense, na Arena Condá. Em caso de uma nova derrota ou tropeço, os torcedores pediram a demissão de Pezzolano. O Inter ocupa atualmente a 18ª posição, com 25 pontos, dentro da zona de rebaixamento.

Segundo informações do setorista Lucas Collar, Allex, Alerrandro, Rochet, Matheus Cunha e Félix Torres foram alguns dos jogadores mais cobrados durante o protesto. No caso de Allex, a cobrança também envolveu seu comportamento extracampo.

Os torcedores fizeram o que definiram como um "desabafo", cobrando soluções para que o clube consiga sair da crise e escapar do rebaixamento. Houve questionamentos sobre o comprometimento do elenco e até uma pergunta sobre se algum jogador não gostaria de estar no Inter. A torcida também pediu que um atleta tomasse a palavra.

Quem falou foi Alan Patrick. O capitão deu razão às manifestações, prometeu que os jogadores terão mais comunicação com os torcedores nas próximas rodadas e garantiu o comprometimento do elenco. Em resposta, uma das organizadas prometeu apoio ao time no duelo em Chapecó.

"Nossa intenção não era destruir nada, nem cobrar os resultados passados. Queremos é dar um jeito de sair do Z-4. Agora vamos juntos e depois cada um segue seu caminho", explicou Leonardo Paim, o Buchecha, vice-presidente da Nação Independente.

Conforme o setorista Leonardo Moll, da Band-RS, Pezzolano afirmou durante a reunião que está "fazendo o que pode" dentro das opções que possui no elenco. Os jogadores, por sua vez, ouviram muito mais do que falaram, mas garantiram comprometimento absoluto para os últimos 12 jogos da temporada.

Fabinho Soldado inicialmente tentou evitar ao máximo o contato direto entre os torcedores e o elenco. O executivo, porém, acabou sendo convencido pelo próprio Pezzolano a mudar de posição e permitir que a reunião acontecesse.

Depois do encontro, os jogadores deixaram o CT em seus carros, em comboio e com proteção da Brigada Militar, repetindo o procedimento adotado na terça-feira. As cobranças foram mais fortes do que no dia anterior, mas não houve registro de incidentes.

A manifestação desta quarta foi o terceiro dia consecutivo de protestos no complexo colorado. Na segunda-feira, mesmo com o elenco de folga, integrantes de organizadas estiveram nas imediações do Beira-Rio. Na terça, os jogadores foram recebidos com cobranças durante a reapresentação no CT.

Após conseguirem o encontro com atletas, comissão técnica e dirigentes, as organizadas decidiram interromper os protestos em frente ao CT até pelo menos sexta-feira, quando a delegação viajará para Chapecó. A partida contra a Chapecoense será disputada às 17h de sábado, na Arena Condá.

Mesmo que consiga vencer, o Inter não deixará a zona de rebaixamento nesta rodada, mas poderá alcançar a pontuação dos primeiros times que estão fora do Z-4. Por isso, o confronto ganhou peso ainda maior para um elenco que chega pressionado e com a permanência de Pezzolano cada vez mais ligada ao resultado da partida.

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