Texto por Colaborador: Redação 14/04/2022 - 16:00

O Internacional encerrou na terça-feira um movimentado mercado de transferências. Com uma lista grande de jogadores, a direção fechou para este primeiro semestre o grupo para o técnico Alexander Medina tentar, de uma vez por todas, emplacar seu trabalho no Beira-Rio. Como avaliar a movimentação do clube até aqui? Foi boa? bem ordenada? ou ruim? De maneira crítica, nossa equipe até gostou de alguns nomes mas, no geral, se mostrou insatisfeita pelo total esquecimento dos jovens da categoria de bases, se mostrando preocupada com possíveis efeitos mais adiante. Que comece o debate no Boteco Colorado: 

ARIEL

O que achou da Janela Colorada: NEGATIVA

"Ao meu ver o Inter não encontrou nesta janela o que precisava para o decorrer da temporada.

O clube tem se mostrado extremamente limitado na busca no mercado por reforços. Ainda não temos um goleador no ataque, visto que trouxemos um jogador desconhecido do grande público e que chegou lesionado. Além disso gastamos demais num meia de 30 anos, e o contrato do zagueiro contratado é por apenas 3 meses, ou seja, em pouco tempos poderemos ficar na mão.

Além disso, a tão falada base, sempre comentada pelos dirigentes, sequer foi testada. Os nossos jovens que poderiam amadurecer se fossem bem trabalhados em uma equipe sólida, onde pudessem entrar aos poucos e se desenvolver, nunca foram testados sequer em uma partida no estadual. E sendo assim, entramos no momento mais complexo da temporada cheio de incógnitas.

Nesse sentido, vejo uma dificuldade enorme na direção. Não temos uma boa prospecção de olheiros, que encontrem peças alternativas que possam se desenvolver em um curto prazo e a longo prazo trazer benefícios em campo e financeiros.

Fazemos o contrário. Gastamos muito com veteranos que em 2 anos provavelmente terão que ser negociados, já que serão caros demais e dificilmente serão vendidos. Pegamos refugos de grandes centros, jogadores que eram reservas e que ao meu ver, até podem ajudar em algumas situações, mas no caso de agora, é somente a nossa única opção de mercado no momento: a urgência, a desorganização. Gastamos muito com jogadores mais veteranos, já que não temos bons olheiros mundo afora.

Sobre os jogadores contratados: o que mais me agradou foi Renê. Sempre achei ele um jogador regular, nas partidas que assisti do Flamengo. Ele não será o craque da partida, mas é um bom carregador de piano. Dá conta do recado na defesa, não chega tanto a linha de fundo, mas tem um passe eficiente que pode dar em bons cruzamentos com um atacante alto entrando na área. Comparado ao Moisés que atualmente seria o titular, o Renê me parece que tecnicamente é superior e traz mais equilíbrio e regularidade ao setor, já que o Moisés vai do zero ao oitenta numa mesma partida.

Alan Patrick foi um jogador que teve alguns bons momentos no Beira-Rio em sua primeira passagem. Pela característica acho que ele pode somar, já que temos poucas opções de um meia como ele que se aproxima da área e tabela com os atacantes e laterais. No entanto, acho que ele está longe de ser um jogador "extra-classe", e visto o montante investido, me pareceu mais desespero de uma janela se fechando do que um bom negócio".

ISRAEL

O que achou da Janela Colorada: NEGATIVA

"Os dirigentes iniciaram dando sinais de que fariam poucas contratações mas pontuais e de qualidade, o que na reta final bateu o desespero e não foi o que aconteceu.

Sempre penso que jogadores medianos para grupo devem vir da base (a não ser posições que tenha uma carência extrema na base ), mas o correto é contratar poucos jogadores mas de qualidade técnica e mental que possam fazer a diferença em campo, e não 2/3 jogadores medianos que não elevam a “hierarquia” do seu elenco em nada.
Jogadores que jogam em várias posições e na real não executam bem nenhuma, que só tiram espaço de jovens que poderiam dar o mesmo por um custo menor e ainda serem vendidos.

Aqui seguem todas contratações até agora no ano de 2022: - Bustos - Renê - Vitão (empréstimo) - Bruno Gomes - D’Alessandro (fim do contrato em Abril) - Gabriel - Liziero (empréstimo) - Pedro Henrique - Alan Patrick - Alemão - Carlos de Pena - David - Wesley (empréstimo) - Wanderson (empréstimo)

São 14 jogadores, que para mim 5 destes nomes tem o mínimo de qualidade para acrescentarem algo no grupo: os laterais Bustos e Renê, Gabriel como volante, Alan Patrick podendo ser o meia que não temos e David no ataque com vontade, os demais talvez sejam até inferiores aos jovens da base, sendo mal uso do pouco dinheiro que o clube possui.

Isso sem contar que até o momento não temos NADA de jogo em equipe por parte do treinador Medina, fazendo com que peças razoáveis estejam rendendo muito abaixo coletivamente, ninguém consegue se destacar com uma massaroca em campo."

ALAN

O que achou da Janela Colorada: NEGATIVA

"Vai ser difícil eu ir contra as análises de meus companheiros, já que concordo com praticamente tudo do que foi levantado por eles. 

Foi uma janela com alguns bons nomes - sobretudo Bustos, Renê, Alan Patrick e talvez Alemão e Wanderson - mas muito mais em quantidade do que qualidade. Inchamos o elenco com uma série de nomes que duvido bastante se somarão mais em nível técnico aos atuais reservas, enquanto praticamente se descartou o Celeiro de Ases como jamais visto nos últimos tempos.

Assim, se analisamos a curto prazo, a base do time titular será sim fortalecida, principalmente através dos nomes de Alan Patrick, Renê e Bustos, no entanto, se pensamos a médio prazo, como o clube acredita que fará uma grande venda na próxima janela sem nenhum jogador revelado com bom potencial e minutagem mínima? Sem essa perspectiva o SCI estará trazendo para si uma enorme bomba em 2023, já que terá novamente que somar em seu próximo orçamento vendas na casa de 70 a 80 milhões de reais para manter as contas, é uma política completamente desgovernada e desesperada. 

Por fim, fechamos essa leva de jogadores - ou seja, montamos todo o time do zero -  em um curtíssimo período de tempo, outra prática não aconselhável quando se organiza um trabalho a longo prazo: em vez de se trabalhar criando uma espinha dorsal em uma temporada, ajustando-a de maneira refinada ano a ano com jogadores melhores e sempre pensando na consistência, o Inter inverteu a lógica: como não consegue fomentar qualquer base mínima de trabalho coletivo, sai que nem um maluco no mercado tentando tapar os buracos desordenamente, sem qualquer visão de adaptação, como se o planejamento fosse um vídeo game onde basta trocar ali e aqui e, como num passo de mágica, as coisas acontecem de uma hora para outra. São mais de 14 jogadores em nem 5 meses, no MEIO da temporada e com um técnico novo, é simplesmente bizarro.

Isso tudo sem citar que se buscou peças caras e com qualidade dúvidosa frente aos que estavam no próprio Beira-Rio. Fazendo uma rápida ilustração do que seria uma boa janela no meu ponto de vista: traz Bustos, Renê, Alan Patrick, todos titulares, ok? Nos demais, que se aposte em Johnny como 1° volante nos 4 meses da temporada, em sua posição e não tirando e recolocando do time com ele podendo jogar com regularidade, evitando gastar os poucos recursos no caríssimo Gabriel, volante limitadíssimo e sem bola aérea ou porte físico, sendo inferior ao próprio Dourado e que piora o sistema defensivo por cima. Em vez de bancar R$ 11 milhões por parte do passe de David - que embora tenha começado bem no clube, é tecnicamente muito limitado - e na legião de notas "5" De Pena, Pedro Henrique, somando-se ao outro erro Gustavo Maia, que se traga UM nome que resolva o setor com maior substância, deixando para peças da base o espaço de ocupar estes casos de 3° opção (isso seria uma janela POSITIVA), deixando ainda teoricamente mais recursos para se apontar um camisa 9 de maior nível, ou seja, em vez de desembarcar 14, traz 5 ou 6 que te resolvam consistentemente e não deixem um gargalo inacessível aos jovens... Trocamos um ataque recente com Yuri, Guerrero, Abel e Galhardo por Wesley, David, Alemão, é uma queda abrupta de qualidade em um setor chave. Lembrando que no ano passado perdemos muitos pontos e a Copa do Brasil pelo motivo inverso, já que nenhum zagueiro foi contratado por meses (tínhamos nomes abaixo da crítica como Pedro Henrique, Zé Gabriel, e não houve ação) no tempo ideal, e quando vierem, já estávamos fora de praticamente tudo da temporada ou chegaram na hora H, sem tempo para render de início e com decisões logo de cara. São erros amadores e rotineiros de planejamento que assustam. 

No fim, para não passar por um completo pessimista, mesmo sem nenhum centroavante realmente confiável, o que me parece um erro crasso, penso que com essa nova base titular que se projeta diminuímos bastante o risco de rebaixamento, sem dúvida o meu maior receio em 2022. No entanto, essa ameaça não decorre somente pela qualidade em si do grupo, mas principalmente devido ao péssimo trabalho do treinador até aqui. " 

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