Texto por Colaborador: Redação 05/09/2022 - 04:53

O Corinthians fez uma grande festa no primeiro jogo após seu aniversário de 112 anos, justamente frente o glorioso SCI, em confronto direto pela ponta da tabela e até porque não, de um possível título.

Antes da bola rolar, no entanto, a 'Fiel Torcida' cantou um "parabéns a você" ao Sport Club Internacional, em zoação direta pelo aniversário do maior jejum de títulos brasileiros, vencido em 1979. Curioso, não? É mais ou menos como o assaltante levar todo o dinheiro do banco e depois, na maior cara de pau, abrir uma conta. 

Cabe lembrar a gigantesca torcida paulista que o jejum alvirrubro, por passagem, só está em pé graças ao Brasileiro mais sujo da história, vencido oficialmente por eles em 2005, declarado por seu próprio presidente como "roubado", com expulsão absurda pontualmente no jogo decisivo, frente um time montado com dinheiro sujo e de um mafioso inglês, que ainda contaria com uma série de jogos remarcados quando não haviam provas claras de manipulação (o que não ocorreu na Série B, com as mesmas ocorrências). 

Dito e feito esta importante ressalva, seguimos para o campo de jogo: após meses de uma temporada decepcionante, Mano & Cia encararam o melhor mandante da Série A, dono de uma das defesas mais seguras e que não havia sofrido dois gols em um só jogo, apoiados por mais de 40 mil pessoas. Mesmo contra tudo isso, um Inter corajoso mandou em todo o segundo tempo, algo raramente visto nos últimos anos no estádio alvinegro. No fim, se não fosse uma falha bisonha de Daniel, um Inter com mais chances de gol, mais escanteios e posse, se tivesse vencido, teria feito jus ao rendimento em campo.

O que podemos tirar do maior clássico interestadual para as bandas do Beira-Rio? Na sequência do fiasco para o Melgar, parece que Mano - agora com maior tempo de preparo - passou a poder experimentar os jogadores, testando seus rendimentos em etapas e formatando uma base mais consistente. Parece claro que Ed, Alan Patrick e Taison são tecnicamente superiores, todavia, a falta de equilíbrio entre fisicalidade e juventude tiravam nossa competitividade a longo prazo. Por outro lado, após a desclassificação continental o SCI começou a fomentar a criação de uma base de sustentação mais ampla, o que aumentou nossa gama de opções.

Depois de sair de uma ideia fixa de time sempre com os mesmos XI 'carimbados', sobretudo no meio de campo, Mano optou por tirar algumas peças da comodidade e passou a criar um elenco de fato, com o banco de reservas podendo vir do intervalo para realmente somar decisivamente, o que não acontecia há tempos. 

Embora o Internacional dificilmente tenha reais condições ou qualidade técnica para alcançar os líderes Palmeiras e Flamengo, isso realmente não importa no momento. O crucial agora é, diferentemente de 2020 e 2021, quando o legado de uma temporada para outra foi negativo e de recomeço completo, formar uma base de time e trabalho que nos coloque em um patamar mínimo no início de 2023.

Encaramos um dos melhores times do país, que mesmo sem demonstrar brilhantismo, é eficiente e competitivo. O Corinthians, ao lado do Inter, está na turma do "segundo nível" nacional, atrás somente dos milionários Fla e Palmeiras. Meses atrás estávamos com Diego Aguirre, caindo pelas tabelas. 

Ademais, não vencemos também por mérito da equipe de Vitor Pereira, que mesmo se vendo dominada, manteve sua linha defensiva impecável e estável em praticamente todos os ataques vermelhos. Ainda assim, parecem haver indicativos patentes de que estamos contruindo uma base de trabalho consistente, que evolui significativamente a nível tático, enquanto alguns jovens entram na equipe principal, podendo nos salvar financeiramente lá na frente.

O Corinthians suou sangue para nos vencer, mas saíram decepcionados e cabisbaixos, já que o Inter de Mano pode ter "n" defeitos, mas sempre vende cara uma derrota (que são raras, por sinal). O primeiro passo parece ter sido dado corretamente: o SCI começa a ter um time a sua altura.

EDITORIAL